segunda-feira, 7 de setembro de 2015

CRÔNICA - NO SILÊNCIO DE UM GRITO DE ALERTA






NO SILÊNCIO DE UM GRITO DE ALERTA


Há dias em uma crônica opinei sobre a inércia que o mundo está se submetendo como aquela pessoa que em sua casa durante a faxina esconde a sujeira sob o tapete para recolhê-la somente mais tarde. Referia-me na oportunidade aos olhos cegos de todas as autoridades com poderes de soluções, autoridades de todos os continentes, principalmente daqueles geograficamente opostos à área de atualização dos extremistas do Estado Islâmico. Lembrei-me que no meu país temos um ditado variando nas palavras conforme a região, mas com o mesmo significado de “pimenta nos olhos dos outros, arde somente lá”.
Alertei oportunamente que está em formação um dos mais nefastos meios de aniquilação de pessoas registrados pela história que dará vergonha até ao império de Adolf Hitler, até para a guerra santa da Igreja Católica, até ao fascismo e tantos outros meios engendrados que mancharam o nome “Ser Humano” que é o atual êxodo registrado no mundo de mortos e explorados ou; explorados e depois mortos durante as travessias que só realizam pela desesperança na sua região natal provocada pela brutalidade de um grupo de radicais.
O que o mundo civilizado ainda não se alertou é que esse fenômeno nefasto não é liderável, organizável e aí está o perigo por deixá-lo crescer. Está rapidamente se tornando um califado desenfreado, sem fronteiras, e que nenhum país no mundo o impedirá de atuar, pois não será necessário passaporte para se adentrar em seus territórios já que basta existir nele um único ser demente e sedento por expressar a sua maldade interior como também um grupo igualmente desraigado de qualquer princípio humanitário e; fatalmente será colocado numa praia mais um corpinho como da criança afogada. E se essa praia for o seu quintal? E se pingarem a pimenta em seu olho?
Estou recusando-me a dar o nome do menininho que está se tornando a mais famosa vítima atualmente. Uma vítima não pode se tornar famosa e é por isso que me recuso a dar o seu nome, pois a mídia poderosa assim fazendo, tornando-o apenas a vítima mais famosa, amanhã o fará ser o desconhecido e nada famoso por interesse comercial, como aquele que tem a fama por quinze minutos apenas. Na verdade o nome dele amanhã poderá ser o de um dos meus oito netos, dos seus filhos, dos que estão nascendo neste momento em que está se lendo.
Na internet várias fotos e ensaios de arte bem demonstram a tragédia de todos que estão sendo diretamente atingidos pela maldade. Escolha uma e nela coloque a imagem do seu filho, do seu neto, do seu vizinho e grite para que as autoridades do nosso país e do mundo se mexam, mas se faz mais que necessário que — as suas ações extrapolem além da acolhida de todos que lá estão sofrendo — a criação de mecanismos para extirpar o tão desnecessário movimento dos extremistas do Estado Islâmico. A diplomacia em si nada poderá fazer, pois diplomacia significa diálogo entre dois lados e, consequentemente, como dialogar com um lado sem líderes e propósitos? Não é alarde descabido. O mundo está em perigo e a inércia é a mais aliada dos extremistas. O tempo está passando e só as autoridades não perceberam por interesses escusos e egoísticos por uns e culpa de outros que armaram e treinaram tais grupos.
Faz-se urgente a formação de coalizão por todos numa força tarefa de combate. No lugar da diplomacia inócua ao caso o que se faça agora é a formação de métodos de inteligência militar para localizar todos os focos nocivos aniquilando-os de alguma forma. Na segunda fase é necessário criar condições de parar o êxodo tão nefasto e cruel para repatriar os que deixamos pela inércia se tornarem párias, uma condição inaceitável para o século vinte e um. E numa terceira fase aí sim entrar diplomaticamente para fortalecer a autoestima dos envolvidos que naturalmente evitarão a criação de ideologias descabidas e perversas desde o seu nascedouro.
Alerto também...
Já querem criar mecanismos com interferência religiosa — despropósito de pensamento — Não adianta orarmos a Deus, pois Ele que todos e tudo criou agora descansa. Eu acho que Aquele que criou o livre-arbítrio se autocondenou a nunca mais interferir nas decisões do ser humano, mas que se tornou o Observador esperando de cada um de nós atitudes dignas para sermos reconhecidos como pessoas. Então, obviamente, a solução não passa pela religião, mas pela religiosidade intrínseca, nata em cada um de nós. Praticar atos nobres com princípios de religiosidade não é ter uma religião e tão pouco nos torna religiosos, mas nos torna, sim, com certeza, um SER HUMANO.