quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PROSA - A CRIAÇÃO DE SACI




A CRIAÇÃO DE SACI


Jundiaí, 9 de fevereiro 2015.

Querida prima, Marli.

Marli Macrino eu e o primo Rogério Faria passamos um fim de semana maravilhoso. Foi um passeio que bem jus faz ao ditado; vivendo e aprendendo: Que maravilhosa é a vida que nos ensina cada vez mais.
Sei que você é muito curiosa e rapidamente entro nas explicações necessárias evitando o seu desespero em logo tudo saber. Eu e ele fomos convidados a conhecer uma fazenda, impar, diferente e interessante de um amigo dele.
Que diferença tem a tal fazenda? Simplesmente é uma fazenda criadora de Sacis. Aprendemos tanto. Por exemplo:
— Você sendo uma professora tão experiente sabe que o Saci que nasce com a perna direita é macho?
Ou...
— O Saci que nasce com a perna esquerda é fêmea?
E...
— Que participam anualmente de competição para saberem o campeão de melhor trança em crina de cavalo?
Além...
— Que entre eles é ofensa emprestar fumo para o cachimbo?
Interessante não é? Inclusive já falamos com o proprietário sobre você e ele afirmou que ficará contente em recebê-la juntamente com os seus alunos para uma excursão.
Mas, querida prima, algo nos chateou: Soubemos que ultimamente têm nascido muitos sacizinhos com um defeito genético que tem colocado o criadouro à beira da falência; cresce cada vez mais o nascimento de Sacis com duas pernas. O fazendeiro está desesperado. Na verdade o amigo do primo é mesmo azarado já que será o seu segundo negócio frustrado, sendo que, no anterior, ele investiu todo o dinheiro num circo só de anãos e depois de seis meses, todos, começaram a crescerem.

Mas foi um dia maravilhoso que eu e o primo passamos juntos e prometemos levá-la da próxima vez em nossos passeios. São ótimos, pois me ajudam a combater o estresse e as suas lembranças amenizam a minha insônia que persiste em tomar conta das minhas noites.
Agora tenho que parar. O enfermeiro chegou com uma injeção e com a camisa de força.
Beijos carinhosos. Quando puder venha me visitar, estou na Ala Nove. É perto da sua que é a Dez, embora seja forte o boato que mudaram você para a Dezenove o que seria até bom, assim você ficaria próxima à Ala Vinte que é a do primo Rogério e do seu amigo fazendeiro que cria os Sacis.
Como não tenho mais nada a lhe contar, menina, deixo o meu abraço afetuoso.
E quando voltar a me lembrar de quem eu sou prometo-lhe que voltarei a assinar as cartas.