sexta-feira, 29 de abril de 2016

PROSA- A NEGRITUDE DA SUA PELE



A NEGRITUDE DA SUA PELE

CANCÃO PRA JULIANA – V

Gosto de mergulhar na negritude da sua pele.
Gosto de vê-la sobre as dobras do lençol azul-mar como se você estivesse simplesmente descansando em águas serenas dum oceano, sugerindo-me um convite a entrelaçar-me contigo e permanecer horas a nado, onde, de repente, em momentos deveras ondeados sua pele mais se escurece e noutros momentos ― durante rara plenitude da nossa paz momentânea pela intensa troca de carícias ― a sua negra pele reflete os claros duma superfície calma tocada pelos raios do Sol. Parecemos que imergimos, aquecemo-nos de desejos e logo mais mergulhamos outra vez na profundidade dos momentos mais secretos.

Ah! gosto sim de mergulhar na negritude da sua pele sobre as dobras do lençol azul-mar ― cheirando; ora suavemente alfazema, outras vezes alecrim dourado, e tantas mais camomila, ―  que religiosamente colocamos às terças-feiras assim que a noite se mostra criança, que as estrelas se tornam convites libidinosos e a Lua faz o seu beiço-de-bater-bolo de tanta inveja por não enxergar a nossa história de amor através da cortina cerrada aos olhares curiosos.